segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Postagem Silvio - Olimpíada/Paralimpíada



Eu estive nos jogos olímpicos onde percebi o que podemos ser, não como cidades, estados ou mesmo países, mas, sim como mundo.

Conviver com pessoas de todo o mundo em um único lugar abriu meus horizontes, entendo que somos muito mais, a falta de entendimento pelo idioma, logo foi substituída por gestos carinhosos e nos fazíamos entender e assim nos ver como humanos e não por rótulos imbecis.


Eu estive na olimpíada e não na paralimpíada, mas, a paralimpíada é sensacional, passa uma energia ainda mais especial.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Postagem José Eduardo - Paralimpíadas



Seguem abaixo as minhas considerações sobre o que eu vi num fim de semana no parque olímpico-paralímpico.

ACOMODAÇÕES NO RIO

Fiquei hospedado no IBIS Nova América. Esse hotel fica na Barra da Tijuca e junto com o Shopping Nova América.

Talvez por estar numa área de muito movimento e comércio, o acesso às pessoas com necessidades especiais era muito boa e bem sinalizada, no chão havia aquelas faixas de indicação para deficientes visuais e toas as calçadas com rampas para acesso de cadeirantes.

No hotel, elevadores e portas de tamanho permitido para cadeiras de rodas e acesso aos ambientes possíveis.

TRANSPORTE

Acredito que esse foi um dos pontos negativos. Muito poucos taxis e VANS com acesso a pessoas com necessidades especiais.

Segundo os taxistas menos de 5% dos taxis tem condições de levar cadeirantes.

Os BRT’s também tinham acessos a cadeirantes, mas, os espaços não eram respeitados e eram em pouca quantidade.

NO PARQUE OLÍMPICO



O acesso ao Parque Olímpico era um pouco complicado, visto que taxis e até mesmo o BRT, deixavam as pessoas a uma distância razoável do parque e o caminho era muito ruim para pessoas com necessidades especiais, mas, quando a gente entra no Parque, as coisas mudam de figura.



Todas as arenas tinham acesso por rampas ou escadas. Muita gente para orientar, conduzir e auxiliar as pessoas com necessidades.

Dentro das arenas muitos lugares para cadeirantes, com boa visibilidade para os jogos.

O parque era parcialmente plano e com bons espaços para locomoção.



Uma coisa que me marcou muito foi a limpeza no local e muitas, mas, muitas lixeiras para material reciclável e não reciclável.



Como o parque é muito grande, haviam muitos carrinhos para levar idosos e quem precisasse de uma arena a outra.

Dentro das arenas muita gente orientando e bastante organizado. Não havia lugares marcados dentro das arenas.



A saída foi muito organizada e de fácil acesso ao transporte público e táxis.



O sentimento de superação fica muito mais evidente nos paratletas. E o reconhecimento do público é maior. Não existe torcida adversária. Você torce para o atleta do seu país, mas, após a disputa, todos são aplaudidos e ovacionados quando passam em frente as torcidas. Nessa hora não existe bandeira. 


Espero ter te ajudado.

Ajudou muito, meu amigo José Eduardo, muito obrigado!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Postagem Waldemir - Paralimpíadas




Tive a oportunidade de ir com minha esposa Angela, minha filha Gabi, meu genro Lucca, no primeiro final de semana das Paralímpiadas no Rio.



Ao chegar no Rio me surpreendi com uma cidade bem diferente daquela que estou acostumado a ir, limpa, organizada e segura (com as forças armadas nas ruas).

Com um sistema de transporte eficiente e com acessibilidade. (Metrô, B.R.T.), apesar do Metrô não estar ainda disponível para a população, somente para quem tinha ingresso para os jogos (famoso jeitinho Brasileiro), mas, pelo menos ficará de legado para a cidade.

A compra de ingressos pela Internet foi um pouco confusa, foi posto à venda uma quantidade muito menor que a capacidade das Arenas, talvez com receio de pouca procura, mas, ao chegar nas bilheterias para troca do voulcher pude ver todos a procura de ingressos para qualquer modalidade.

Muitos voluntários orientando as pessoas para entrar no Parque Paralimpico, com educação, eficiência e o bom humor típico do brasileiro. Realmente o “Povo Brasileiro” mostrou ao mundo a sua hospitalidade e carisma. 

O Parque é muito bonito com boa acessibilidade, bem sinalizado, iluminado, organizado e limpo. E no sábado dia (10) foi o recorde de público mais de 167 mil pessoas, sem nenhum incidente, com filas organizadas e todos respeitando as regras.

O que notamos é que tinham poucos turistas estrangeiros e para nossa surpresa muito poucos deficientes.

Fomos no jogo de basquete masculino (Brasil x Grã-Bretanha) onde a acessibilidade era muito boa tanto para entrar, como para se locomover e local para assistir ao jogo.



O que chamou a atenção foi a determinação e empenho dos atletas. Eles têm tanta habilidade com as cadeiras que parece fácil, (mas não é).

Muito estranho mesmo os poucos deficientes assistindo aos jogos. Foi uma pena, pois, o exemplo que os paratletas passam é incrível.



Em fim valeu a pena, foi uma experiência maravilhosa, inesquecível e única, pois, não verei outra dessa no Brasil!

Muito obrigado por seu depoimento Waldemir.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Postagem Stéphanie - Paralimpíadas

Conforme prometido, ao longo desta semana, estarei postando o depoimento de pessoas que viveram a experiência das Paralimpíadas Rio 2016.
Hoje a minha filha Stéphanie:
Olá, meu nome é Stéphanie e eu sou filha do dono do blog “Fiquei Deficiente - E AGORA?”.

Antes de começar meu relato sobre minha ida até as Paralimpíadas do Rio 2016, eu gostaria de deixar claro que não sou portadora de nenhum tipo de deficiência, o que me incapacita de julgar o que é ou não inclusivo na cidade.
Minha estadia no Rio foi breve e exclusivamente para assistir aos Jogos Paralímpicos.
Já ao desembarcamos no dia 09/09 em Santos Dumont, pudemos ver uma rampa que estava ali para auxiliar os cadeirantes a subirem em ônibus. A rampa estava com o logo do Rio 2016, não sei dizer se ficaria ali até depois do evento.

Nosso embarque e desembarque foi todo feito pelo aeroporto Santos Dumont, então, não consigo analisar como estavam as preparações no Galeão, que é o aeroporto internacional do Rio.


Na sexta da nossa chegada, tivemos a oportunidade (e a honra) de assistir ao Jogo de Basquete feminino em Cadeiras de Rodas.
O jogo aconteceu no Parque Olímpico, que está muito bonito, aliás. Uma vez lá dentro, pudemos observar que todas as instalações pareciam estar prontas para receber pessoas deficientes. As ruas lá dentro eram largas, havia sempre mais de uma opção para o acesso (se houvesse uma escada, também tinha uma rampa ou uma ponte...), além disso era possível ver pessoas deficientes circulando por todo o Parque Olímpico, o que era incrível, uma vez que todo esse evento é sobre elas, é para elas.
Isso sem contar que toda a equipe de voluntários parecia estar preparada para ajudar, sempre.


Devo admitir que jamais acompanhei esportes praticados por deficientes, exatamente por um preconceito que ronda a nossa sociedade, principalmente a brasileira.

Deixe-me contar o que eu ouvi quando disse que estava indo para as Paralimpíadas: “Nossa, não tenho coragem. Acho super triste”.
E eu preciso dizer que o que eu vi lá foi absolutamente tudo, menos triste.

Essas pessoas são lutadoras, são guerreiras e não são desistentes. São vencedoras, pois, apesar de todos os empecilhos, estão lá: sendo atletas paralímpicas. Representado seus países.


O jogo em si, foi extremamente emocionante (de todas as formas). A partida era China VS. França, e bem que a França tentou, mas quem levou essa foi a China. 
Nunca tinha tido a oportunidade de assistir um jogo em cadeira de rodas, como eu já disse ali em cima. E foi incrível ver de perto a força e a garra dessas meninas. Foi incrível presenciar aquela festa, a torcida que gritava apoiando ambos os times, comemorando a cada cesta. A torcida que batia palmas para todas as vezes que as meninas caiam, mas, se levantavam (pasmem: sozinhas!).
Foi um jogo maravilhoso e empolgante.


Para me locomover pelo Rio, eu utilizei em sua maioria o aplicativo Uber, por não ter conhecimento nenhum da cidade, uma vez que era minha primeira visita à Cidade Maravilhosa. Mas nesse dia, especificamente, eu me locomovi de ônibus, BRT. Esse ônibus tem uma faixa exclusiva para ele, sendo essa literalmente separada das outras faixas de carro.
Para pegar o BRT, você precisa estar em uma plataforma onde o ônibus para e você fica da altura dele, não há necessidade de subir escadas. Isso tornava o uso do ônibus de fácil acesso para pessoas com dificuldade de locomoção, ou qualquer outro tipo de deficiência. Sem contar que todo o acesso a plataforma inclui rampas.
No sábado, dia 10/09, fui “turistar” pela cidade do Rio. Primeiramente fui conhecer os lugares mais icônicos da cidade, mas infelizmente o dia estava nublado demais para irmos até o Cristo Redentor. Dessa forma, acabamos indo apenas ao bondinho do Pão de Açúcar.
O bondinho é lindo. A subida é incrível, a vista da cidade é maravilhosa. O Rio realmente continua lindo. Mas, o mais bonito foi ver a delegação de vários países esperando na fila para entrar no passeio. E perceber que esse passeio estava pronto para recebê-los.
Pude ver vários cadeirantes passeando por ali, pelo morro da Urca. O caminho lá em cima é todo feito de ladeiras, mesmo que muitas delas sejam tortuosas, mas, todos os atletas pareciam felizes, tiravam fotos e brincavam com seus colegas.

Além disso, no topo do morro da Urca havia um letreiro escrito Rio 2016 em Libras. E o mais incrível disso tudo foi ver as pessoas fazendo filas para tirar uma foto com esse símbolo de inclusão.
Não posso afirmar com certeza se todas as pessoas que estavam ali sabiam do significado daquele letreiro ou se elas entendiam o que aquilo simbolizava, mas, de qualquer forma, quanto mais pessoas, maior é a visibilidade.


Depois do Bondinho, acabamos passando a tarde e o início da noite na praia de Copacabana. Andamos por todo o calçadão, apreciamos as músicas vindas dos vários barezinhos por ali.
Na frente da enorme loja Oficial das Olimpíadas e Paralimpíadas estava uma bateria tocando samba para todas as pessoas e muitas delas se aglomeravam ali para dançar.
Perto do famoso Copacabana Palace estava o símbolo das Paralimpíadas, no lugar onde antes ficava o símbolo das Olimpíadas, e mais uma vez uma fila grande para tirar foto com ele. Foto aliás que eu tirei e é a primeira do meu relato.
Durante a minha longa caminhada, pude ver pessoas de vários países caminhando por ali. Pessoas com vários tipos de deficiência, famílias, crianças ...naquele momento eu pude perceber claramente como essas Paralimpíadas falavam de inclusão e como as pessoas com deficiência têm cada vez mais conseguido combater a barreira do preconceito, têm conseguido reunir pessoas, vencer dificuldades...
Na praia de Copacabana havia uma barraca onde era possível cadeirantes pegarem uma cadeira que entra na água, para terem a chance de conhecer o mar de Copacabana. Como fui à noite, parecia estar fechado. Não sei se esse serviço era oferecido gratuitamente ou se era necessário pagar algo.
Novamente, eu não estou no meu lugar de fala. Eu não posso afirmar com veracidade o que é inclusivo ou não. Sou uma pessoa que não tem a menor consciência do que essas pessoas sofrem, do que elas lutam, então, eu não posso passar por cima da opinião de quem de fato pode dar a opinião. Tudo o que eu digo aqui foi o que eu tive a oportunidade de observar, mas, para sabermos se de fato o Rio estava inclusivo e preparado para um evento desse porte, somente ouvindo às pessoas que sofrem de alguma deficiência e que estiveram lá, mas, do ponto de vista dessa que vos fala, tudo parecia muito bonito e todas as pessoas pareciam muito alegres.
No meu último dia no Rio, eu fui novamente assistir a um Jogo Paralímpico. Dessa vez fui ao Riocentro.
O Rio de Janeiro estava um pouco confuso nas questões de rua. Ainda mais por que eu me hospedei na Barra da Tijuca, que estava recebendo dois dos principais pontos dos Jogos Paralímpicos. Por isso, muitas vezes eram necessárias longas caminhadas para chegar aos lugares. Não sei se isso também foi um empecilho para deficientes ou se para eles havia alguma outra maneira de chegar aos jogos.
O Riocentro é, normalmente, um pavilhão que recebe eventos no Rio de Janeiro. Por isso estamos falando de um lugar muito grande, muito espaçoso. Para chegar até a área onde os jogos estavam ocorrendo, havia um longo tempo de caminhada.

Pude observar alguns voluntários dirigindo carros motorizados que buscavam e levavam crianças, deficientes e idosos para evitar um desgaste dessas pessoas.

Nesse dia (11/09), fomos assistir ao halterofilismo masculino até 72kg. O halterofilismo não é exclusivo de uma deficiência como outros esportes, por isso é possível ver pessoas com os diferentes tipos de deficiência disputando essa categoria.
Logo na entrada de nosso pavilhão, fomos recebidos por um rapaz com deficiência intelectual, que nos indicou onde eram nossos assentos, mostrando que as inclusões iam além das instalações: haviam pessoas deficientes trabalhando como voluntários.
Nos jogos em que eu tive a oportunidade de ir, pude perceber que cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção tinham cadeiras reservadas próximas às quadras ou centros onde o esporte em questão aconteceria.
Nas arquibancadas, os deficientes tinham lugares na frente, para poder acompanhar tudo de perto. E um voluntário ficava ali responsável para indicar os assentos preferenciais.
Nada mais justo, uma vez que esse evento é totalmente para eles. Uma vez que as Paralimpíadas são uma conquista de todos eles.

No halterofilismo os atletas entram sozinhos, não em time. Isso gerou uma oportunidade, a plateia conheceu um por um. E a cada entrada de cada atleta, todo mundo gritava, festejava, batia palmas, se alegrava. E em resposta, os atletas correspondiam o carinho na mesma moeda: todos eles entraram acenando, sorrindo e brincando com a plateia. Foi algo muito incrível de se ver.
Nessa modalidade eu tive a oportunidade de ver o recorde paralímpico ser batido. Mais de uma vez, inclusive.
O atleta Lei Liu da China bateu o recorde, logo em seguida o atleta Rasool Mohsin, do Iraque, bateu novamente.
E então Rasool Mohsin pediu para tentar bater o recorde mundial paralímpico, e ele conseguiu! Contudo, na somatória dos pontos, o chinês acabou levando a melhor.
Mesmo assim, foi inacreditável ver aqueles homens vencendo suas próprias barreiras e batendo recordes. A plateia ia à loucura, batendo os pés no chão e as mãos no alto, empurrando os atletas no grito. Torcendo demais para que cada um ali conseguisse alcançar seus objetivos. Isso sem contar as diversas vezes que a torcida bufava impaciente quando os jurados não consideravam alguma levantada, invalidando o movimento do atleta.
Em vários momentos eu me senti emocionada, mesmo perdendo, os atletas saiam sorrindo e brincando com a torcida.
Dessa vez, eu pude presenciar a cerimônia de entrega das medalhas. Foi ainda mais emocionante do que eu pensava, mesmo não tendo ninguém do Brasil ali, eu me senti tocada demais. É lindo ver alguém conquistando algo, independente de seu país de origem.
No fim das contas, o ouro ficou para o chinês Lei Liu, prata para o iraquiano Rasool Mohsin, e bronze para o nigeriano Nnamdi Innocent.

Ao fim da cerimônia, eu saí do Riocentro e caminhei até um ponto onde pudéssemos pedir um Uber.
Perto do Riocentro estava localizada a Vila dos Atletas Paralímpicos. Aquela região estava cheia deles treinando, caminhando nas ruas, andando de bicicletas, passeando pelo Rio.
Vários ocupavam os espaços das ciclofaixas (localizadas em cima das calçadas) andando com suas cadeiras de rodas, aproveitando o dia de muito sol. Mesmo assim, vi casos de atletas tendo que desviar de buracos na calçada.
Por fim, voltei para o lugar onde eu estava hospedada e rumei para o aeroporto Santos Dumont, para voltar para São Paulo.
O que eu aprendi com toda essa experiência? Respeito. Respeito por esses atletas que vencem as barreiras dos preconceitos, de uma sociedade antiquada que tenta pregar que lugar de deficiente é em casa. Na verdade, o lugar do deficiente é onde ele quiser estar! Onde ele se sentir confortável, onde ele achar melhor, onde ele gostar. Ninguém tem o poder de dizer para alguém onde ela deve ir, como ela deve viver sua vida. Apenas a própria pessoa conhece suas limitações.
Respeito por essas pessoas que vivem com deficiência e que são taxadas de incapazes por pessoas que, no fim das contas, fazem muito menos, encaram muito menos, lutam muito menos.
Respeito por que ser atleta já é uma dificuldade sem tamanho, mas, ser atleta paralímpico, pode ser comparado a super poderes: pessoas que lutam além das suas forças para seguirem seus sonhos, mesmo quando o resto do mundo diz que elas não podem.
Respeito por que essas pessoas ali são a vívida representação de que ser deficiente não é o fim. Os seres humanos são incríveis pelo seu enorme potencial e poder de adaptação. Quando um ser humano quer, não existe força divina que consiga ficar no seu caminho: ele inventa jeitos, inova, se desdobra, mas alcança seu objetivo. Independente de qual for.
Respeito já que esses atletas mostram que existe vida na deficiência! Eles são exemplos para crianças que enfrentam os mesmos problemas, eles são exemplos para pessoas que acreditam que ser deficiente é o fim. Eles são exemplo para qualquer pessoa. Esses atletas são sinônimo de superação e luta.
No fim das contas, foi bonito ver que fizemos bonito em casa. Foi indescritível poder participar de um evento acontecendo tão maravilhosamente no quintal de nossa casa, nossa Pátria Amada.
Eu acredito que as Paralimpíadas sejam até mais importantes do que as Olimpíadas, principalmente aqui no Brasil. É importante que o povo brasileiro comece a mudar sua mentalidade, comece e ver as coisas por um outro ângulo. E eu acho que, pela torcida animada e lotada, pudemos perceber que o Brasil está sempre apto a mudar.
De maneira geral, as Olimpíadas e as Paralimpíadas foram totalmente sobre inclusão. Pela primeira vez pudemos ver pessoas diferentes se unindo para fazer história. Teve transexual puxando a delegação brasileira na abertura das Olimpíadas. Teve mulher fazendo bonito, ganhando medalhas, participando. Tivemos choques culturais que não causaram farpas ou estranhamentos. Tivemos pessoas que conseguiram seu direito de praticar esporte pela primeira vez (como as atletas do Egito). Tivemos medalhas Paralímpicas que podem ser ouvidas, e que vêm com escrito em braile, para que todos os atletas possam apreciar aquilo, para que todos eles se sintam incluídos nessa.
Acredito que essas Olimpíadas e Paralimpíadas tenha sido extremamente brasileira: receptiva, carinhosa e uma grande mistura. Já dizia Rainha Ivete: “Hoje tem festa no gueto; Pode vir, pode chegar; Misturando o mundo inteiro “vamo” vê no que é que dá. Tem gente de toda cor; Tem raça de toda fé; Guitarras de rock'n roll, batuque de candomblé”.
Parabéns atletas por suas conquistas sem iguais, suas medalhas que vocês devem carregar com muito orgulho, por vencer todas as barreiras que lhes foram impostas.
Parabéns Brasil por essa festa maravilhosa, por esse show de mistura que só a gente sabe fazer.
Olimpíadas e Paralímpiadas da inclusão? Aconteceu aqui. Aconteceu no Brasil.
 Medalha de ouro para nós.
Sou muito grata pela oportunidade de ter ido as Paralimpíadas e por meu pai ter cedido para mim um espaço para falar da minha experiência e visão desse evento maravilhoso.
Nota da Autora: Correndo o risco de ser repetitiva, eu precisava deixar bem claro que em nenhum momento do meu texto eu tive a intenção de tirar o lugar de fala de nenhum deficiente. Esse texto é apenas a minha visão do evento, sabendo que eu não tenho propriedade nenhuma para julgar o que é inclusivo ou não.
Se o meu texto em algum momento for ofensivo ou invasivo em relação à experiência de algum deficiente, eu peço perdão.
Agradecida. 
Muito obrigado a você, minha filha Stéphanie

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Final das Paralimpíadas Rio 2016



Chegou ao final os Jogos Paralímpicos Rio 2016, para nós, brasileiros ficou o saldo positivo da melhor participação em uma edição de jogos paralímpicos, um 8º lugar no quadro geral de medalhas, com 72 medalhas, sendo: 29 medalhas de bronze, 29 medalhas de prata e 14 medalhas de ouro.

Fica aqui o meu cumprimento e o meu respeito, não só aos nossos medalhistas, como a todo o time paralímpico Brasil, porque se ser atleta neste país já significa ser um verdadeiro herói, ser um paratleta ´então, é uma epopeia digna de “Ulisses”, falta tudo, falta apoio, falta incentivo, falta política, faltam campeonatos, a maioria das empresas nem querem ter funcionários deficientes, com medo de ter a imagem da empresa maculada, quanto mais patrocinar um esporte paraolímpico, a mídia que defende incluir em suas novelas, a prostituição, corrupção, trafico, não demonstrou interesse em divulgar o segundo maior evento esportivo do planeta, como se apresentar uma paralimpíada fosse comparável a apresentar um show de horrores.

A verdade é que quando você nasce ou se torna deficiente, você ganha da vida uma oportunidade de se superar, superar as suas dores, superar as indiferenças, superar os preconceitos e é com este espírito de superação, que os nossos paratletas vão em busca de um lugar ao sol.



Quando a olimpíada se encerrou, ficou a pergunta: “Qual o legado da olimpíada? ”, esta pergunta eu não sei responder, mas a pergunta de hoje é: “Qual o legado da paralimpíada? ”, e a esta eu responderia: “Esperança”.

Esperança porque quando as paralimpíadas estavam para iniciar, com poucos patrocinadores, sem apoio da mídia, tudo indicava que o evento seria um fracasso, mas, os jogos começaram e o povo abraçou a causa, cada vez mais gente começou a se interessar, no final de semana de 10 e 11 de setembro, o parque olímpico recebeu quase 170 mil pessoas, batendo o recorde de circulação de pessoas das olimpíadas que teve uma super divulgação. No final os jogos paraolímpicos receberam um público total de 2 milhões e cem mil pessoas, a mascote das paralimpíadas o “Tom”, teve mais vendas que a mascote “Vinícius” das olimpíadas.

Sem divulgação, o povo brasileiro fez a diferença, é verdade que muita gente foi lá conhecer o parque olímpico, pois, os preços dos ingressos eram bem inferiores que os das olimpíadas, também os transportes e hospedagem estavam mais em conta, mas, os paratletas de todo o mundo, com uma alegria contagiante e com uma superação incansável, tocaram o coração do povo brasileiro.

As pessoas que assistiram a ao menos uma atividade, se encantaram com a performance dos paratletas e passaram a nutrir um respeito especial pelos deficientes, passaram a melhor observar a arquitetura da cidade, os transportes, tudo.

Você pode pensar que em um pais com 200 milhões de habitantes, 2 milhões e 100 mil é uma gota e realmente é uma gota, mas é uma gota que atingiu ao povo, sem apoio de mídia, é uma semente que tem tudo para crescer, porque quem constrói uma nação, não é o político, não é o partido, não é o regime, não são as leis, não são os governantes, muito menos é a mídia, quem constrói uma nação é o seu povo.

Parabéns a todos os paratletas do mundo e parabéns ao povo brasileiro.




Na sequência eu abrir um espaço no meu blog para postar as palavras de algumas pessoas que estiveram no evento.

domingo, 18 de setembro de 2016

Paralimpíadas Rio 2016 - Superação

Vivemos em um mundo de paradoxos, com muita tecnologia e moral questionável, muitos desafios e um número infinito de desculpas para não os enfrentar, um lugar onde muito falamos sobre o “politicamente correto” e pouco o praticamos, onde depois de milênios de convívio social, ainda impera a intolerância, a violência e o medo.

Você acorda com o som de seu despertador, em uma cama confortável, em um apartamento ou uma casa, tira o leite da geladeira, faz o seu café, torra alguns pães enquanto assiste ao jornal matinal pela TV ou ouve ao rádio, verifica suas mensagens em seu smartphone, entra no seu carro e segue para o seu trabalho. Talvez você goste do seu trabalho, talvez tenha estudado anos para executá-lo e talvez não goste, mesmo tendo estudado.

A verdade é que desde que você se levantou até este momento, você não se deu conta de quanta gente teve que se superar, para que esta manhã tenha sido tão simples, afinal, quando você nasceu já existiam despertadores, camas, casas, apartamentos, geladeiras, fogões, torradeiras, carros e empregos.

Você provavelmente já bateu no peito alguma vez e disse: “ – eu não sou preconceituoso”, discurso básico do “politicamente correto”, porém, em algum momento, você já deve ter se mudado de lugar, mudado a direção de uma caminhada, evitado uma conversa ou até mesmo ter tratado mal a algum outro ser humano, porque este ser humano era “diferente” de você, tinha outra religião, ou tinha outra opção sexual, ou tinha outra etnologia, ou era de outra classe social, ou até mesmo era deficiente.

Agora eu tenho duas novidades, especialmente para quem já viveu uma das experiências citadas, esqueça o seu “politicamente correto” o nome que se dá a quem ignora, evita, ofende ou agride a outro ser humano por ser diferente de si é “preconceito” e não importa o que você utilize de recursos em seu dia a dia, da sua simples cama confortável ao seu sofisticado automóvel, tudo o que facilita a sua vida tem um toque ao menos de alguém que você classifica de “diferente”.

As maiores crueldades que você pode cometer com deficientes são: ignorá-los por ter certeza que devido a suas deficiências eles são capazes de entendê-lo, tratá-los com indiferença, afinal, para quem não tem deficiência, muitas vezes um deficiente é apenas alguém que deveria não sair de casa para não atrapalhar, desrespeitar suas vagas e seus direitos, pois, você que não é deficiente é mais produtivo é mais cidadão e a pior das crueldades, olhar para um deficiente e pensar “coitado”, sem nem tentar esconder em seu olhar.

Todo deficiente é um ser humano igual a você que não tem deficiência, só com um pouco mais dificuldade, todo deficiente tem coração, tem sentimentos, mas, acima de tudo, todo deficiente tem que se superar todos os dias, superar suas limitações, superar os preconceitos a que é submetido, superar as intolerâncias e violências.

Então, a cada quatro anos, acontece uma olimpíada, você assiste ao exemplo de meritocracia, pois, no esporte não importa de quem você é filho, quanto você é rico, quanto você é poderoso ou quanto você é belo, porque no esporte tem que ter entrega, não há ganho sem dor, ou você é o melhor ou você é mais um e por trás de cada medalha, existe uma história de luta, uma história superação.

E na sequência, acontecem as paralimpíadas, que acima da meritocracia mostra a verdadeira e insuperável força humana, atrás de cada atleta paraolímpico existe uma história de superação humana, mesmo que não seja medalhista.

A maior agressão cometida contra os deficientes no Brasil, foi a falta de patrocínio e a falta de interesse da mídia em transmitir os Jogos Paralímpicos em casa. As empresas provavelmente não quiseram associar sua imagem a deficientes e a mídia provavelmente preferiu não exibir imagens de deficientes ao mundo “perfeito” de seus telespectadores.

Uma pena, perderam a oportunidade de promover a inclusão no Brasil e deixaram de exibir atletas de alta performance, eficientes, tão eficientes que na prova dos 1500 m da classe T3 (para atletas com baixa visão) não só o argelino Abdellatif Baka bateu o recorde mundial com 3m48seg29, como teria sido medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, na realidade os quatro primeiros colocados desta prova superaram o vencedor olímpico, o americano Matthew Centrowitz, que ganhou a medalha de ouro com 3m50seg.

A Paralimpíada Rio 2016 está repleta de histórias de superação, imagens inesquecíveis e cada vez que se assiste a uma prova, você assiste em tempo real a história da capacidade de superação humana, a mesma que fez com que uma espécie sem grandes presas, sem grandes garras, sem couro, saísse das cavernas para conquistar o espaço.

Somente para citar alguns desses super exemplos de superação:

Daniel Dias – Conquistou sua 24º medalha no Rio 2016 e se tornou o maior nadador paraolímpico.



Abdellatif Baka (3m48seg29), Tamiru Demisse (3m48seg49), Henry Kirwa (3m49seg59), Fouad Baka (3m49seg84) – Os quatro melhores colocados na prova dos 1500 m classe T3 (atletas de baixa visão), todos teriam vencido ao campão olímpico Matthew Centrowitz (3m50seg).



Alex Zanardi – Conquistou duas medalhas no dia 15/09/2016, data em que faziam 15 anos do acidente onde teve suas pernas amputadas, no grande prêmio da Alemanha de Formula Indy.



Ibrahim Hamadtou – O paratleta egípcio que disputa o tênis de mesa, mesmo não tendo os dois braços, ele utiliza o pé para lançar a bolinha e a boca para segurar a raquete.



Fica aqui o meu agradecimento a cada um dos paratletas por nos lembrar o que somos e do que somos capazes, de onde viemos e porque estamos aqui agora e o meu sincero pesar pelo falecimento do paratleta do Irã, Bahman Golbamezhad, que perdeu sua vida em busca da superação, em um acidente na prova de ciclismo de estrada.